Tigres Asiáticos

Com os seus tráficos e comércios de toda a sorte, ameaças e guerras, o Sudeste Asiático dá-nos muito. Dá-nos a simbologia de um vocabulário e de um “estar” próprios com valores não Ocidentais. Nestes países, repousa-se sem danos numa vida simples, o ritmo de viver é lento. O povo é especialista na arte dos sorrisos quando o Inglês não é suficiente. O que é falso, artificial e ilusório, não se mostra na história desta diversidade, a beleza do Laos, do Vietname e do Camboja é autêntica, real e imutável.

Os templos de arquitectura impressionante prometem na composição das suas arestas, a passagem do mundo material ao mundo espiritual. Nestes sítios, onde residem as maiores riquezas naturais do mundo, a natureza é macia. A Leste de Hanoi, no Vietname, na baía de Ha Long Bay, onde se diz, que um dragão, fugiu das montanhas para se esconder neste mar, têm-se a topografia cénica mais bonita do planeta. Os olhos são pequenos para ver a imensidão do mar e das ilhas que se repetem de forma desigual. O Mekong, tem as margens repletas de arroz, é o rio mais extenso do Sudeste Asiático, nasce no Tibete e atravessa vários países, com a sua diversidade de peixe, alimenta, até hoje, milhares de pessoas.

Aqui os habitantes seguem as suas vidas independentemente dos viajantes, o quotidiano desta gente não se altera e, quem chega, espera para ver e participar nas tradições. À noite, devassam-se as casas dos nativos para partilhar a sua mesa e a sua alegria. Este povo, vive num estado de libertação do sofrimento, e do desapego ao material e, esta experiência de paz interior e de essência da vida absorve-se a cada passo.

Quando se desembarca no Sudeste Asiático pensa-se que estes são os países mais felizes do mundo, aprecia-se o presente, sem que falte a curiosidade no futuro. Muitas vezes, enquanto viajantes, foge-nos a apreensão de um tempo desconfortável que atinge a população, pela inflação, pela falta de equilibro económico, pelas deficientes condições de saúde, pela pobreza, e pela desigualdade social que o determinismo destes regimes políticos, conseguem perpetuar. E, foge-nos a visualização, dos anos propriamente duros que estes povos suportaram abrindo feridas que ainda hoje não estão completamente saradas, como as sequelas da guerra do Vietname de 1955 a 1975 que foi a maior pedra no sapato da superpotência ; EUA, ou o genocídio desferido pelo revolucionário comunista Pol Pot que liderou o Khmer Vermelho no Camboja na década de sessenta e até ao início das anos setenta, com todas as incidências, físicas , psicológicas e políticas de um conflito que arrasou este país. Por outro lado, a religião, serve de instrumento de vingança nestes países, e o Budismo mostra-se cada vez , menos pacífico, longe dos ensinamentos de Buda.

Mas, no Sudeste Asiático não se chora a nostalgia de outros lugares, não se têm a sensação de se estar a viver nas margens, e de se estar afastado do que faz mover o mundo e do significativo, porque neste lugar a originalidade está integrada e quando não está, também não é punida. Aqui é fácil encontrar a calma sem se excluir os avanços e é fácil encontrar pessoas com as quais tivemos uma determinação e um propósito. Neste lugar, existem incondicionalidades inexplicáveis e um primitivismo que prevalece sobre a maturidade e a lógica, e até mesmo, sobre algum ressentimento à espera.

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