The soul of fashion

Há uma fotografia icónica de 1991, em que a Christy Turlington e a Linda Evangelista posam de vestidos Chanel em tons pasteis e bonés de motoqueiros, como um gangue de motociclistas. Esta imagem quebrou as regras da moda dessa altura e tornou a marca Chanel numa armadura vibrante e ousada, a qual se podia usar para esse efeito. Karl Otto Lagerfeld, conduziu esta mudança e conduziu o seu próprio mito, de rosto magro, olhos cavados e boca amuada, não  nos apaixonamos num segundo por ele, todavia o director criativo mais bem pago do mundo resistiu à permanência e vai resistir à memória da Chanel. 

Guardado de si pela sua própria caricatura, apresentava-se ao mundo com roupa diferente, inspirada no séc XVIII e anos 70. Usou leque, joias de cromados e pérolas, cabelo branco apanhado em rabo de cavalo, óculos escuros, colarinhos engomados e vestiu skinny jeans pretos, depois de ter perdido quase metade do seu peso. Deu ao património deixado por Gabrielle Chanel, mais do que uma nova silhueta, colocou a Chanel no presente com toda a dose de respeito com que nos habituamos a olhar para uma instituição. Havia uma maneira de ver o mundo da moda pela Chanel, discreta, cinzenta ou incolor e depois havia a maneira de Lagerfeld que ressuscitou o vestir prático, elegante e confortável da marca, com couro preto e estampas pop, recorrendo muitas vezes à semiologia de alfaiataria e ao rock.

Lagerfeld que diz nunca ter tido a ambição de registar o eterno mas somente o efémero, concretizou os dois. Com o, “zelo de um artista e o egoísmo de um burguês” como diria Flaubert, foi fotografo, realizador de curtas metragens, desenhou apartamentos de luxo, criou uma coleção de lápis para a faber- castell , um modelo para a rolls royce e uma edição especial da coca cola diet.

Lagarfeld foi categórico, objetivo e crítico, sempre gostou de viajar pelo cume das suas palavras, em 2013 escreveu um livro com as suas máximas; “ The World according to Karl- Lagerfeld”.

Nunca se considerou satisfeito com o seu trabalho desde o dia em que tirou o curso de desenho e história em 1954 , dedicou toda a sua vida a mostrar aquilo que mais o interessou; a roupa. Há dois anos no desfile da Chanel em Paris reproduziu a Torre Eiffel, e ganhou a maior distinção oferecida pela capital francesa a medalha Grand Vermeil . Lagerfeld foi um homem fácil de reconhecer.

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