The coolly rational man

 

Certas personagens das histórias do Pinóquio, do Rei Leão ou do Harry Potter, serviram de exemplos de força e transformação ética a que Jordan Peterson, psicologo clínico, orador conceituado e professor de psicologia na Universidade de Toronto, recorreu para nos explicar a importância do revigorante aperfeiçoamento individual, que todos deveríamos por em prática nas nossas vidas. De facto, uma das pretensões mais extraordinárias que temos tendência a desenvolver é achar que os nossos problemas se diluem em forças maiores, sejam elas de origem na natureza ou na sociedade em que vivemos. Para este psicólogo, esta atitude leva-nos sistematicamente a comprar a burrice de não nos retificarmos.

A noção de “Self Authoring “, ou aperfeiçoamento individual , evita segundo Peterson, revestirmos as nossas vidas, muitas das vezes , sem aplauso, de uma despreocupação descartável que nos entrega às ordens de uma ditadura em que o habito faz milagres e confere categoria de necessidade aos caprichos e ao que é supérfluo. A bem dizer, conceber o quimérico projeto de partir nem que seja para uma terra gretada e pobre, sobretudo se for quente, ou quem sabe sair direto ao céu grisalho de Londres, ou ás esvoaçantes nuvens de Oxford, para dar à nossa vida uma nova oportunidade, esperando que o novo cenário social exorcize os nossos males e os nossos fantasmas é, estarmo-nos a isolar e a fugir de nós próprios e do que nos põe em causa, recusando-nos ao confronto com as nossas falhas.

O que nos deixa incapazes de trazer significado às nossas vivências é tornar-nos naquilo que já temos sido. No seu livro mais conhecido, “ Maps of Meaning” ( arquitectura das crenças ) defende que a personalidade do individuo, a nossa individualidade pessoal e social, deve ser uma das ideias a resistir ao abandono ao longo de todo o percurso de uma vida.. Exercitar o melhoramento continuo é um pressuposto absolutamente humanizante, longe do pressuposto das ideologias que segundo Jordan , retiram a capacidade de pensar e de evoluir, ao individuo. Ao evitar aquilo que nos confronta estamos a limitar as nossas experiências e a alimentar uma teia de relacionamentos somente com quem está de acordo connosco. Qual ideal de “super homem” devemos superar-nos.

No fundo o contributo escrito por este psicologo, em “12 rules for life” deixa claro que não há que escorrer de otimismo com a vida e, há desafios que demoram tempo, nem sempre conseguimos deixar de prosseguir o que é conveniente para nos focarmos no que é significativo. Mas fica claro que, a felicidade é fugaz e imprevisível, tornando-se facilmente num mau negocio, por isso ajuda se os nossos interesses imediatos ficarem suspensos para nos permitir ver significados a cima e valorizar as pequenas oportunidades resgatáveis da vida, como por exemplo fazer uma festa a um animal que vem na nossa direção.

Se lermos um poema duro, um romance clássico, ou procurarmos algo que nos estimule o corpo e o pensamento. Se pusermos a tocar, os quartetos de Bethoven ou contemplarmos uma catedral Renascentista, e se nos focarmos melhor nos nossos valores, mais depressa combateremos o sofrimento. Uma vezes tem-se a sensação que se está a construir, outras vezes, tem-se a sensação que se está a desconstruir mas não podemos querer ter sempre :“ Sol na eira e chuva no nabal”.

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