O Império desconhecido

Na Coreia do Norte, o desalento faz o seu trabalho. O áspero regime empreende a guerra contra um povo indistinto e submetido, vivendo no interior de um mito, os norte-coreanos , o que não consomem em instrução, consomem em ideologia . Kim-Jong-un o seu lider, desfere coerção física e psicológica ao povo, servindo-se das crianças como instrumento demonstrativo da coesão do seu próprio estado.

Assim, a infância neste país marca o princípio de se viver uma vida refém do regime, cerca de 20% das crianças vivem em subnutrição crónica e as que são oriundas das classes mais baixas deambulam pelas ruas, comem do lixo e dormem ao relento. O corpo faminto devora-lhes o tecido muscular mas, mesmo nestas condições, são obrigadas a desempenhar trabalhos forçados nas cidades e nos meios rurais. Com fome não se pensa em ser livre, não se pensa em julgar a política , não se pensa, em nada. Neste reino eremita, nasce-se condenado e vive-se condenado, agachado pela desesperança e pela humilhação. A vigilância da comissão dos direitos humanos não conseguiu, até agora a reintegração de todas as crianças de rua prevendo-se inclusive, um agravamento da situação para este ano.

Pese, embora, o regime político da Coreia do Norte, não possa manifestamente continuar a encarar o sentido da história, os coreanos são um povo com uma enorme capacidade de adaptação que os mantém leais ao regime totalitário de Kim,mesmo em situações de abusos dos indivíduos pelas manobras e estratégias manipuladoras como são o exemplo, as ações de propaganda que, qual rito que o mito deste regime ordena devem escamotear a realidade perante as vistas Internacionais.

Se, formos mais atrás aos anos 90 constatamos, que a grande maioria dos países desenvolvidos celebraram esta época com momentos de desenvolvimento tecnológico e prosperidade económica ao passo que, pela mesma altura a Coreia do Norte viveu uma devastadora crise de subnutrição. Após o colapso da União Soviética a Coreia do norte, tem recusado a intervenção internacional, até hoje, a linguagem opressora mantida através do “brainwashed” que o estado descarrega sobre o seu povo, demonstra desdém pela individualidade e diferenciação e ao mesmo tempo provoca nos visados o desenvolvimento do sentimento de desculpa, o anseio e o medo, quando os norte-coreanos são tomados pelo desafio da fuga.

No fim , o que fica para quem permanece e para quem foge é a memória do desespero e da frustração de quem só pode esperar uma coisa do estado; a impossibilidade de ser dono de sí , do berço à maioridade.

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