Jovens infratores

O medo é suposto ser só isto; transitório, latente, fugaz e não lancinante e abarcador. Mas,no Brasil os construtores da criminalidade que ferem sem provocação, desajustados amorais, delinquentes adolescentes e adultos, frios e insensíveis, cometem crimes hediondos, roubo qualificado, e lesões corporais seguidas de morte, recorrem, a rituais catárticos bárbaros, encontrando na morte das vítimas e na sua própria morte a interpretação possível que está à altura das suas necessidades. Os atentados que têm tido lugar nas escolas do Brasil, como recentemente em S Paulo, o estado que reúne o maior índice de criminalidade juvenil com cumprimento de pena, representam o desejo de um determinado grupo em perdurar a apropriação da violência.

Certas vidas são um ensaio sobre o mal. Estes atiradores, jovens adolescentes que assumem estar no topo sem regras e a experimentar tudo o que é negativo, com uma audácia insensível, vinda da concentração do ódio, matam sob a prerrogativa da veleidade impune, ferindo as suas vítimas sem provocação nem reação destas. Veem de famílias com uma pobreza espessa, que vivem desajustados, tornando-se desde cedo, seres humanos amorais e de maus costumes. São gente que as próprias famílias introduziu no mundo do crime, jovens que deixaram a escola e são socializados muitas das vezes por traficantes.

O que é memorável no Brasil é, a miséria social que esmaga e desconsola, que domina o ânimo e a atenção e excluí qualquer avanço. São as medidas, os pactos os textos e os discursos dos políticos que no bolor de vários governos nunca resolveram o descalabro do crime neste país. Aqui a ordem é uma aparência ou um trabalho das forças armadas. Quando para muitos, em tudo há uma falta de vida, as expectativas vão-se reduzindo e restam as versões deterioradas daquilo que se poderia ter alcançado, admitindo-se todos os descontos e imperfeições. Estes jovens que fazem parte de uma subcultura , não têm biografia ou credo, razão ou história, mesmo num país como o Brasil que acredita em tudo.

O ressentimento, a exasperação e a frustração, que come os ossos e roí a marca humana, são para os atiradores um adorno para o extermino e nalguns casos, a sua própria morte uma consequência natural que reduz o medo e o ódio. Na maior desolação e na maior sensação renuncia-se a tudo, e a violência torna-se num impulso humano de latitude infinita, fazendo-nos pensar que a criatura de um Deus que nos apazigua deixa de existir. O mal deixa-nos abandonados.

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