Il maestro

Ennio Morricone avisou-nos da beleza da vida antes de se ir embora. Nunca reclamou um destino lendário, foi um homem de invejável humildade , mas de certeza, que lhe regressava muitas vezes a ideia de ainda ser jovem, como se os dedos das suas mãos de maestro não tivessem envelhecido, do orgulho e do prazer de ter conseguido tanta coisa, sublime.  Mesmo sem se saber quem a história do século XXI recordará, Ennio Morricone pode aparecer num romance sem ter de se esclarecer quem é. O trilho da sua música desmente as horas, desmente os dias, resolve-nos a vida por momentos; um trabalho perdido a ruína económica, a solidão a pobreza. Quando a sua musica soa em qualquer reino triste um misterioso sol aparece.

Amou-se  Ennio Morricone sem querer acreditar que um dia nos seria roubado. A sua alma teria ficado melhor sem ser humana porque a alma  humana envelhece ao Sol, afunda-se num tempo pessoal de cada um e, por fim deixa-nos num silêncio poderoso. Ennio Morricone partiu há três dias, escreveu centenas de partituras para filmes venceu aos 87 anos o prémio para a melhor banda sonora com a musica do filme dos “ Oito odiados” de Tarantino.

De todas as bandas sonoras e de todos os grandes filmes que as inspiraram é a  música, do drama ; “ Era uma vez na América “ de Sergio Leone e de Roberto de Niro  dos idos 1984 ,que me deixou mais imagens e mais notas memoráveis.

Foi,  o compasso musical desta banda sonora que melhor me conduziu até á essência de um filme, com todo o rigor e de uma  forma simples. A sedutora vertigem dada pelo vago toque de sofrimento das linhas musicais deste drama épico, deram-me a memória mais próxima do que é saber ler musica, e deram-me a memória  mais astuta e bem explorada da América dos gangsters e do crime organizado, até hoje.

O mestre das bandas sonoras, veio  a Lisboa na sua digressão de despedida há um ano, tinha carinho por Portugal. Ennio Morricone tem um altar no meu coração.

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