O muro de Berlim veio a baixo a 9 de Novembro de 1989. A URSS colapsou e a restante Europa assistiu surpresa ao edifício da Stasi ser reduzido a cinzas. Hoje é memória. A partir daqui o cenário internacional mudou, o fim da guerra fria no Ocidente foi a maior mudança no mundo até ao 11 de Setembro. Os últimos 50 anos tiveram momentos inesperados e a história deu-nos vários acontecimentos; o voraz interesse da China pelas oportunidades de negocio do mercado Ocidental a falência do sistema de calculismo capitalista,o fim da sociedade da abundância, bem como a crise e a austeridade imposta pelas hipotecas dos EUA lançadas aos bancos Europeus. O pessimismo das sociedades de hoje.
Foi neste mundo Ocidental atual, um mundo global na vida quotidiana na política , na economia, na cultura e na sociedade, que existe depois das barreiras da proibição da liberdade e da livre circulação da economia planificada terem sido detonadas, que o projeto de Schuman e de Monnet foi alargado aos países de Leste. Há muitos que, como eu, têm dificuldade em imaginar a vida fora do forro do modelo social Europeu, porque foi neste modelo que cresceram a ver aproximar as nações e a ver aumentar a importância das relações internacionais na vida diária Ocidental. É este sentimento de referência das sociedades liberais Europeias das ultimas décadas que gostaria de ver mantido enquanto cidadã de um país que pertence à UE.
A Inglaterra, nação de Churchill, de Shakespeare, de Bobby Charlton e do lendário King Arthur, país soberano económica e financeiramente e membro da pleno da UE desde 1973, quer agora sair. Os ardentes “brexiters “, são a nova classe dominante Inglesa. Esta elite conservadora defende a superioridade da nação Inglesa face aos outros países, mas a população mais jovem e igualmente instruída de Inglaterra, acolhe a livre circulação como uma oportunidade de poder trabalhar em qualquer parte e encara a oferta global como uma vantagem competitiva. Não se reveem, por isso, na suposta supremacia britânica e acreditam que a fantasia excepcionalista Inglesa, defendida pelos conservadores pós-Thatcher não tem lugar no sec XXI. Ninguém sabe qual será o relacionamento desenhado com os restantes países membros, e, caso a saída da Inglaterra na UE, venha a ser uma realidade em Março de 2019, o Brexit vai provavelmente arruinar os lugares que o apoiaram.
Um olhar mais aberto para fora à cerca do seu futuro, faz neste momento, falta à Inglaterra. Há britânicos que querem percorrer a estrada de volta a um país coeso reunido em torno de valores e interesses partilhados e reconhecem a importância do mercado único. Na ilusão de ordem da sociedade inglesa de hoje, existem problemas sociais, há gente rejeitada que a globalização deixou a naufragar com a estagnação de salários. Existe o declínio industrial e a decadência dos centros urbanos bem como o aumento da pobreza que não foram causados pela EU e não podem ser resolvidos com a saída.
O tempo e a minúcia são essenciais para entender as luzes e as sombras de uma Europa madura, as suas tensões e brutalidades. Saberá a Inglaterra das ilusões que estão no coração do Brexit?Numa sociedade, é Impossível de captar todos os seus matizes, bem como todo o conjunto de valores e princípios que norteiam o comportamento individual, coletivo e institucional de um povo num certo momento. Mas é certo que, se se agredir o mundo com uma certa violência, ele acaba por nos devolver a massa mas não nos devolve a felicidade, mesmo quando os mecanismos de vigilância democrática e de cidadania funcionam. É bom que a Inglaterra pense nisso.