Bertolucci

Levou-nos, a ver o “ Ultimo tango em Paris “ , o filme desesperado, e levou-nos a ver o “ Ultimo Imperador” ( obra prima do cinema oscarizada em nove categorias ), não necessariamente por esta ordem. Antes, já tinha rodado; “ Antes da revolução” e o Inconformista”, mais dois bons exemplos deste realizador. Foi o coautor do roteiro do mais grandioso filme de Leone “Era uma vez no Oeste” em 1968. O seu titulo mais falado pelo escândalo foi o “ Ultimo tango em Paris” que chegou a Portugal no Verão de 1974 e passou o em versão encurtada no cinema S Jorge. A celebre cena de sexo anal entre Marlon Brando e Maria Schneider, não foi vista como um símbolo de libertação e não resistiu aos juizos de valor das questão morais que a circunscreveram à categoria de obscena, e de proibida apesar de ter sido a cena mais esperada. O que menos interessa é a manteiga na cena de sodomia, o filme é mais do que isso , foi um abanão no convencional que em nada atentou os valores de família, porque presunção água benta e depravação cada um toma a que quer.

Na década de 70 em Itália os realizadores eram atraídos pelo neo-realismo e Bertolucci foi um seguidor dessa influência vinda de mestres como Rossellini e Pasolini. Não se limitou a ilustrar o cinema , teve de o inventar porque acreditava que a sétima arte é a mais sensível à realidade devendo ter uma perspetiva histórica, e um olhar crítico em relação aos problemas sociais, económicos e políticos. Filmou, por isso a realidade da burguesia Italiana nos seus lados mais negros, nos conflito psicológicos da falsa moral dos bons costumes, do apego religioso, unindo para o efeito, duas vertentes fortes; a politica e a existencial. Bertolucci fez cinema de classe a sua obra realiza-se sobre a burguesia, e é para e contra a burguesia.

Contudo, em Itália na altura, um realizador, que era atraído pelo caos emocional das suas personagens e que as fazia falar, muitas vezes, através de uma linguagem poética, com tom intimista quotidiano estava fora dos códigos habituais do cinema e tiveram dificuldade em aceitar a leitura erótica que o realizador impôs à sociedade Italiana e sofreu, por isso, as consequências.

Bertolucci quis dizer nos seus filmes que, as utopias podem criar um universo cinematográfico à altura de filmar a modernidade, usando a fusão de imagens e sons para evocar o passado, para chegar à verdade ou à falsa verdade, tocando dessa forma os segredos; esse labirinto que nos leva à aventura dos mistérios. Para Bertolucci só as filmagens representavam os sonhos e um sonho é tudo aquilo que na vida normal não se pode ter e visualizar.

Deixe o seu Comentário