A joia da América Latina

Um corte de energia num hospital de Caracas levou à morte de seis pacientes, mais uma desgraça que deu força aos protestos populares que crescem na Venezuela desde 2014 apesar da violenta força de resposta das forças militarizadas do governo de Maduro. Nicolás Maduro governa o país por decreto, encenou um golpe contra a sua própria constituição para ser eleito em 2018, esta eleição não foi livre nem justa, contudo o apoio dos seus caciques ajudou-o a contornar os factos e a manter a autoridade, até agora.

A revolução de Chavez foi herdada por Maduro, mas a revolução que afirmava o “ dever de dar às pessoas aquilo que elas precisam “, não foi cumprida pelo governo nacionalista e de esquerda. Chavez, não foi justo nem um bom para o povo, as posturas radicais e nacionalistas bem como a campanha patriótica orientaram sempre a sua liderança e, nem as vastas reservas de petróleo, a diversividade ambiental e os diversos recursos naturais da Venezuela foram suficientes para que o povo não fosse deixado à sua sorte, entregue a uma miséria e subdesenvolvimento repugnantes, como se verificou. Pode-se dizer que os ditadores Sul Americanos de esquerda têm as mesmas características que os caudilhos da direita. Quando morreu, Chavez deixou o país falido, a iniciativa privada estrangulada pelo controle estatal, e os vários programas sociais da grande maquina de ajuda falharam.

Mas, a joia da américa Latina esteve na moda no tempo de Chavéz e houve afeto prolongado por este lider que sonhara transformar a Venezuela, mas essa Venezuela padeceu e padece às mãos dos seus diferentes chefes, generais, senhores da guerra e traficantes, mas há ainda quem proclame estes regimes autocráticos e militaristas orientados por um exercício de poder carismático e populista, como uma desejável utopia. Hoje a Venezuela, é um país que tem a queda do PIB per capita maior que os valores da grande depressão dos EUA e, 90% dos cidadãos que não fugiram vivem na pobreza. Envolta em corrupção e num amontoado de crimes este país denuncia uma raiva fervilhante e uma profunda apreensão por um governo que nega a crise humanitária sem precedentes que está a viver. Uma coisa é certa, ninguém ficou intacto, em todas as classes as vidas dos venezuelanos foram interrompidas.

A verdadeira disputa que está em jogo é entre a democracia e a ditadura. Talvez a atitude desafiante de Juan Guaidó que lidera a assembleia nacional e quer ser presidente da Venezuela, consiga deixar para trás a aberrante política de Nicolás Maduro, resistindo para isso ao apoio da Russia, de Cuba e da China ao regime de Maduro. Neste momento, Caracas com os protestos que já teve e com os que ainda se seguirão será uma capital de joelhos, com ruas desertas, sem energia, mergulhada na escuridão, sem água, com pessoas famintas , escolas vazias. Uma nação em que os lideres da oposição estão presos ou estão exilados, em que os manifestantes são deliberadamente detidos e torturados, não se vendo vestígios da nação cultural abastecida e arborizada, a cidade vibrante de antes, podendo tornar-se o país mais pobre do mundo.

A diferença entre as grandes nações e as outras é fazerem renuncias e sacrifícios para não estarem isoladas internacionalmente e terem aprendido, que nunca se deve mexer nos ídolos, o dourado fica-nos agarrado às mãos.

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