Foi em Paris que no dia 10 de Dezembro de 1948 se aprovou o documento mais traduzido em todo o mundo, a Declaração universal dos direitos humanos. Pode ler-se na primeira frase que; “ Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Esta mistura de valores religiosos, políticos e filosóficos, que selaram a primazia da vida humana como um mandamento de valor supremo, definiu desde essa altura,o pilar da cultura mundial a ser adotada por todo o mundo. Eleonor Rooselvet principal mentora desta carta chamou-a de “ magna carta” pela inspiração que representou para a constituição de vários estados. Isto para dizer que, a “ Grande carta” foi o documento que se seguiu em termos de direitos humanos à declaração de 1789 em França , acrescentando aos direitos das liberdades individuais ( liberdade, igualdade e fraternidade) outros direitos, como o acesso ao ensino, ao emprego, à educação, à saúde e à habitação.
Hoje em dia, algumas nações não tem sido capazes de sobrepor a exigência de uma vivência global e multilateral de paz entre estados, à primazia das suas necessidades e dos seus egoísmos. O equilíbrio de interesses não existe e, em muitos países os direitos humanos são ainda uma miragem, ou não estão consolidados. Há países que atravessam uma deterioração alarmante, o seu povo esperimenta a insegurança e a desnutrição de forma dramática, milhões de pessoas estão assim em situação catastrófica. Se considerarmos que, 42% da população mundial é pobre percebe-se que há muitos homens e mulheres que não foram tocados em nenhum dos avanços individuais e coletivos ao nível dos direitos humanos e que as suas necessidades primordiais são ignoradas vezes de mais.
No Lémen a guerra tem deixado milhares de iemenitas famintos e dizimou a população em mais outros milhares,no caso do Afeganistão a seca foi tão dura que há famílias a venderem os filhos para minimizar a fome, e há bebés que, com um mês estão prometidos para casamentos forçados. As sociedades de hoje estão a escutar cada vez com mais força as necessidades dos países em emergência, e a ajuda internacional minimiza a dor destes povos , contudo a guerra persiste em alguns países nos quais, ninguém ainda conseguiu travar a ameaça das suas forças governamentais e das suas coligações e intrincados apoios militares. Nestas sociedades, ao contrário das sociedades democráticas quem está lesado não tem possibilidade de reunir as forças necessárias para atacar o regime que orienta de forma devastadora as suas vidas. Cada vez mais empobrecidos o nível de poder destas populações é nulo, e a violência é a arma que depõe e elege uma nova ordem que nunca funciona.
Os compromissos assumidos entre estados desde 1948 já elevaram a dignidade de milhões de pessoas e muito do sofrimento humano foi impedido , mas para chegarmos à noção de um mundo o mais aproximado possível do que são os fundamentos da acessibilidade da justiça da liberdade e da paz como direitos inalienáveis ainda temos que construir mais pontes para que a vida, possa ser para homens e mulheres de todo o mundo se não o todo, pelo menos a parte da felicidade com que se sonhou. E, ainda que haja sempre em qualquer momento da história de uma nação alguém que não tenha todas as suas promessas cumpridas ou que tenha falhado e que por isso, espreite, pela janela outras pessoas instaladas à mesa da sua antiga casa tem de dispor de todos os seus direitos para poder começar a vida depois da destruição em qualquer país.
Cada momento da humanidade tem a sua própria felicidade, as suas próprias esperanças e expectativas, mas resistindo a todos os desenganos , o que fica gravado nas profundezas da consciência humana é o direito à vida e à Paz .